Arquivos da Demência Ontológica

 

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Sexta-feira, Julho 18, 2003

 
oi
 
TEXTO 1

TEXTO 2


Quarta-feira, Julho 16, 2003

 
oi
 
Matem as Baleias (Manifesto Anti-Ecológico)

Existe uma verdade Nua & Crua & Incontestável nos Movimentos Ecológicos:
Toda a tentativa de conscientização ecológica deu com os burros n´água. Conscientizaram algumas pessoas sim, mas as pessoas erradas: as Impotentes & as Irrelevantes. A relevância de tudo o que os ecologistas fizeram por esse planeta é mínima, insignificante. Nenhum movimento ecológico mudou porra alguma, vamos ser francos!! Se mudou alguma coisa foi pra pior.
Cabe aqui uma pergunta crucial:
--- Porque o "Poder" nunca se preocupou verdadeiramente com a conservação do planeta?
Basicamente por dois motivos que se realimentam (e muitos outros que deixo para outros notem):
1. Existem milhões de Jovens Desocupados preocupados com o verde.
2. Esses mesmos Jovens Desocupados representam uma Bela & Suculenta fatia do Mercado.
Não bastasse tudo isso, não se deve esquecer que a grande, gigantesca, estonteante maioria dos ecologistas são um bando de Facistas Filhos de uma Puta.
--- Quer que o "Poder" se mexa para conservar o planeta?
Crie uma geração de Delinquentes Juvenis (e olha que eles já existem, mais ou menos em stand by) que ateiam fogo às florestas, envenenem rios & sabotem petroleiros.
--- Quer que o "Poder" se mexa para conservar o planeta?
Transforme a ecologia num problema social, o "Poder" está moribundo, se atolando em suas próprias contradições e para se manter, presta muita atenção em distúrbios sociais. Um atitude anti-ecológica seria difícilmente absorvida pelo sistema.
Vamos implodir o Mercado Da Ecologia!!!
Vamos matar as abelhas, praticar zoofilia com Ursinhos Panda e necrofilia com Onças Pintadas. Somos o pior fruto da sociedade podre e vamos assumir isso e cuspir o veneno de volta na sociedade. Trezentos anos de oba-oba industrial e agora querem que a nossa geração pague a conta? O caralho, que vamos pagar a conta!! Nós não vamos pagar nada: É Tudo Free!!!!
Queremos nosso direito de caçar lebres, fritar ovos em óleo de baleia e usar estilosas jaquetas de couro de jacaré.

 
Um trecho de uma conversa no ônibus

Certa vez um amigo me disse que para escrever era preciso ter tempo. Imdiatamente soltei a pergunta: - Mas que porra afinal é "ter" tempo? Tempo livre, respondeu, tempo livre! Falou isso sem sentir um pingo de remorso. Nosso tempo original, mata virgem, campo aberto, foi medido, demarcado e repartido em fatias devidadente separadas por arame farpado. Pular a cerca pode custar o emprego, a esposa ou a diversão. Não bastasse o espaço, encontrou-se um jeito de fragmentar o tempo.
Falei ao amigo:
---- Minha criatividade não reconhece fronteiras! Para realizar-se, minha criatividade deve ser irremediavelmente indigente, deve abraçar a mendicância.

 

Assim não dá, assim não dá

Não dá pra jogar com sinceridade um jogo desses. A inconsequência é uma questão de responsabilidade pessoal. A consequência da consciência da escravidão ao tempo estuprado gera a inconsequência.

Sou o terrível invasor bárbaro, rindo, babando e causando espanto aos inocentes seres consequentes. Rimbaud! Guarde uma cerveja para mim!!

O estupro do tempo me leva à Inconsequência.
O estupro do espaço me leva a Delinquência.
O estupro da linguagem me leva à Demência.

"ele ia andando pela rua meio apressado
ele sabia que estava sendo controlado
chegou pra mim e pediu um cigarro
eu disse eu dou, mas fume aqui desse lado
dois homens fumando longe deixa tudo muito separado"

 
Sejamos inconsequentes.
Nosso tempo foi estuprado. Seríssimas seqüelas podem ser verificadas. Nosso tempo está impotente e inseguro. Para termos a impressão de dominá-lo temos que fragmentá-lo, esquadrinha-lo e utilizá-lo racinalmente tendo em vista sua mais alta eficiência. O atual estado clínico do tempo nos induz a sermos criaturas consequentes.
Nosso tempo tem fronteiras. Muito rígidas por sinal. A ousadia de ultrapassar essas fronteiras pode trazer sérias consequencias para os pobres seres consequentes. Qualquer um que queira viver seu tempo sem fronteiras, sem limitações, estará condenado sob o argumento duvidoso da produtividade.
O tempo é medido e calculado e nossa vida dura ¿tantos¿ anos. As infinitas possibilidades de uma vida, a estupenda magnitude desta ocorrência é limitada a "tantos" anos e o que se produziu em duvidosíssimos termos materiais.
O tempo nospreocupa. O tempo reclama e grita em nossos ouvidos. Ele está preso e está sendo violentado. O tempo não urge: o tempo urra e se debate na jaula.
O tempo acuado esmaga e estrassalha os pobre seres consequentes.
Vamos acordar e reagir: vamos ser inconsequentes (e ainda assim e cada vez mais, amar).

 
O Começo do Fim

Começo essa porra de diário para tornar público o meu tédio com a civilização ocidental.

Não esperem de mim nenhuma crítica construtiva, a destruição sempre me seduziu melhor.

A civilização está doente e eu sou a favor da eutanásia. Em algum ponto obscuro da história (coisa que não me preocupo em descobrir) tomou-se a direção errada e a maioneze desandou. Consumiram mundos e fundos e querem que minha geração pague a conta. Nós não vamos pagar nada, é tudo FREE! Meu nome é Ari almeida e isso não significa porra nenhuma. Nosso planeta já foi devidamente estuprado e carrega seríssimas sequelas físicas e psicológica. Qualquer um que analise seu quadro clínico com imparcialidade e honestidade admitirá que o diagnóstico é grave. O caso da civilização é gritantemente mais grave: além de fisicamente em plena decadência devido a sucessivas intoxicações alimentares, está psicologicamente arruinada com a loucura institucionalisada no seu cotidiano.

Creio que o caso não tem solução. Quando uma casa está danificada demais é muito mais viável destruí-la e construir outra.

Não sou um bom construtor, mas sei manejar muito bem uma picareta. Conheço bons explosivos.

Aida existe compaixão em meu coração: compaixão para comigo. Afinal, se não conseguir resolver o meu cotiano, de que adiantaria resolver qualquer outra coisa nesse mundo?